"Como posso entender tanta gente
Aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou?"
by: Raul Seixas
sábado, 25 de janeiro de 2014
Almas Escuras
Engraçado como minha mente sempre trabalha numa abstração maior que a das pessoas que passam pelas mesmas experiências que eu. Meus amigos não pensaram em nada disso explicitamente quando também jogaram Dark Souls.
Pela minha interpretação, a historia do jogo começa com o mundo não-formado, feito de rochas, neblina e dragões. Então, das profundezas do mundo, do fogo que queima lá embaixo, vieram as disparidades, como o calor e o frio, a morte e a vida, e a luz e a escuridão. Desse fogo, nasceram quatro deuses (inspirados nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, acho) e com esses deuses, nasceram os homens, e todos eles travaram uma guerra contra os dragões e venceram, extinguindo-os. E esses deuses deram poder a um humano, que se tornou Lorde Gwyn, o Senhor do Sol, que governou a terra durante a era do fogo, até que o poder desses deuses o corrompeu, e ele passou a usá-lo apenas para fins maus e mesquinhos. Com isso, a luz do mundo foi se extinguindo, e foram sobrando só cinzas.
O único personagem jogável é o herói, obviamente. Ele é um morto-vivo (undead) que ainda está lúcido. Os undead são mortos em quem algum humano colocou uma chama acesa, a mesma chama da vida que queima nas profundezas da terra. Então os undead, sem motivo para existir, enlouquecem esperando pela morte que não chega mais, e no processo, eles perdem a vontade-própria e a sanidade, não querendo mais nada e sendo extremamente agressivos com os vivos e os lúcidos, isso é o estado de loucura que se chama hollow. São poucos os undead ainda lúcidos, e você assume o papel de um, esperando enlouquecer na cela do Asilo dos Mortos enquanto apodrece, até que um cavaleiro te joga uma chave e te dá a missão que ele não é capaz de completar pois está quase morto e muito fraco. A missão é descer até o centro da terra e reacender a Bonfire (Chama) primordial da vida e trazer luz de volta ao mundo. Por quê você? Porque você está lúcido.
Existe também a Ordem dos Cavaleiros do Sol, que são undead lúcidos que buscam um último lugar ao sol antes do mundo afundar em escuridão. As bonfire são as únicas maneiras de você (jogador) poder descansar e recuperar vida, enchendo seus Estus Flask, garrafinhas cheias com o fogo da bonfire que costumam salvar seu rabo podre e morto em muitas situações. A única maneira de fazer com que uma bonfire gere calor suficiente pra encher um pouco mais de Estus Flask é se tornando humano e oferecendo sua humanidade à bonfire, podendo manipular o fogo-da-vida em troca, pois os mortos não podem fazê-lo.
Lindo, não?
E o jogo inteiro é escuro, frio e lúgubre, mas no meio de toda essa podridão, há um objetivo nobre: trazer luz de volta às trevas. Escrevi isso pois acho que toda essa ideologia dentro do jogo mais difícil do gênero e, consequentemente, de todos os jogos de hoje em dia, é linda. Um morto que está apodrecendo na prisão resolve sair de lá, vê que o mundo tá fodido, e resolve mudar as coisas. E esse morto não tem nenhuma habilidade especial, nem nome, nem passado, ou título, ou seja, ele é um nada, mas esse nada sai do cárcere e mata deuses, munido apenas das armas que ele consegue sozinho e de sua própria força, inteligência e habilidade.
Isso é lindo, pois em todos os jogos hoje em dia, você é algum tipo de "Escolhido" e tem uma super-habilidade especial que mata todo mundo, e etc.. Lá, não, lá você é igualzinho aos hollowzinhos loucos que não usam nem uma espada inteira e andam com trapos, quase pelados, e ficam ou se debatendo ou tentando te matar. Tão odiosos e ao mesmo tempo tão dignos de pena. As armas que você consegue não lhe são dadas, o Dark Souls não te dá nada, você tem o mérito de ir buscar e ter o orgulho de usar.
E é interessante que esse jogo é absurdamente difícil, pois você não tem nada especial, você é só um nada que tomou uma atitude diferente, e venceu todas as dificuldades sem falhar (por isso que eu acho que quando você morre (porque o Undead Escolhido morre por incompetência do player, não dele mesmo) ou descansa na bonfire, todos os inimigos são restaurados pra dar a ideia de continuidade e de vitória sem interrupções). Você é o guerreiro perfeito, e ao mesmo tempo é um qualquer. Disso, dá pra tirar a mensagem que o guerreiro perfeito não nasce com título e poder, mas o adquire, e isso vem de sua força como homem, não de nenhum super-poder dado a ele de graça; sem falar que, no meio de toda aquela loucura, a sua maior força foi a sanidade.
É muito bom, nos dias de hoje, provar um jogo que não é "joga, fecha rápido e compra outro", mas um que realmente te dê a sensação de realização pessoal que os jogos antigos davam quando, após muitas tentativas, você vencia um nível difícil, e essa sensação não é mais proporcionada pelos jogos hoje em dia.
Por isso eu acho que jogar Dark Souls, hoje em dia, é uma experiência de vida, não só um jogo, pois ele exercita, mais que todos os outros jogos, sua perseverança e sua habilidade de não se deixar abater por mais que o jogo te ponha de quatro, te algeme, e te dê chicotadas na bunda enquanto diz "Você gosta, né, otário? Vai, tenta de novo! Eu te desafio a ser trouxa de tentar de novo!" e você se sente extremamente frustrado (talvez por isso que o Dark Souls não seja tão famoso quanto deveria. Porque ele assusta muito os players por causa da dificuldade e do tipo de coisa que você enfrenta logo no início. É absurdo). Até o momento em que você fica mais forte como player (e como pessoa, acho, pois precisa-se de muita perseverança, sangue e lágrimas) pra jogar Dark Souls e supera essa frustração. E ainda dá margem pra doidos terem pensamentos e reflexões profundas como as minhas por conta da ideologia sinistramente poética ou poeticamente sinistra (e profunda, principalmente) do jogo.
Dark Souls é o jogo do qual precisamos hoje em dia. Pra ver se tiramos a sociedade dessa insanidade de apenas buscar coisas pequenas e fáceis com a desculpa de "sou só um trabaiadô" e afundar cada vez mais na frustração de uma vida cuja ideia de vitória seja comprar um carro um pouco melhor a 6924241111 prestações e continuar se sentindo vazio porque, no fim, sabe que não fez nada de importante ou construtivo na vida, só trabalhar e comprar. Bela bosta de objetivo de vida.
Dark Souls é foda.
PREPARE TO DIE!
Pela minha interpretação, a historia do jogo começa com o mundo não-formado, feito de rochas, neblina e dragões. Então, das profundezas do mundo, do fogo que queima lá embaixo, vieram as disparidades, como o calor e o frio, a morte e a vida, e a luz e a escuridão. Desse fogo, nasceram quatro deuses (inspirados nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, acho) e com esses deuses, nasceram os homens, e todos eles travaram uma guerra contra os dragões e venceram, extinguindo-os. E esses deuses deram poder a um humano, que se tornou Lorde Gwyn, o Senhor do Sol, que governou a terra durante a era do fogo, até que o poder desses deuses o corrompeu, e ele passou a usá-lo apenas para fins maus e mesquinhos. Com isso, a luz do mundo foi se extinguindo, e foram sobrando só cinzas.
O único personagem jogável é o herói, obviamente. Ele é um morto-vivo (undead) que ainda está lúcido. Os undead são mortos em quem algum humano colocou uma chama acesa, a mesma chama da vida que queima nas profundezas da terra. Então os undead, sem motivo para existir, enlouquecem esperando pela morte que não chega mais, e no processo, eles perdem a vontade-própria e a sanidade, não querendo mais nada e sendo extremamente agressivos com os vivos e os lúcidos, isso é o estado de loucura que se chama hollow. São poucos os undead ainda lúcidos, e você assume o papel de um, esperando enlouquecer na cela do Asilo dos Mortos enquanto apodrece, até que um cavaleiro te joga uma chave e te dá a missão que ele não é capaz de completar pois está quase morto e muito fraco. A missão é descer até o centro da terra e reacender a Bonfire (Chama) primordial da vida e trazer luz de volta ao mundo. Por quê você? Porque você está lúcido.
Existe também a Ordem dos Cavaleiros do Sol, que são undead lúcidos que buscam um último lugar ao sol antes do mundo afundar em escuridão. As bonfire são as únicas maneiras de você (jogador) poder descansar e recuperar vida, enchendo seus Estus Flask, garrafinhas cheias com o fogo da bonfire que costumam salvar seu rabo podre e morto em muitas situações. A única maneira de fazer com que uma bonfire gere calor suficiente pra encher um pouco mais de Estus Flask é se tornando humano e oferecendo sua humanidade à bonfire, podendo manipular o fogo-da-vida em troca, pois os mortos não podem fazê-lo.
Lindo, não?
E o jogo inteiro é escuro, frio e lúgubre, mas no meio de toda essa podridão, há um objetivo nobre: trazer luz de volta às trevas. Escrevi isso pois acho que toda essa ideologia dentro do jogo mais difícil do gênero e, consequentemente, de todos os jogos de hoje em dia, é linda. Um morto que está apodrecendo na prisão resolve sair de lá, vê que o mundo tá fodido, e resolve mudar as coisas. E esse morto não tem nenhuma habilidade especial, nem nome, nem passado, ou título, ou seja, ele é um nada, mas esse nada sai do cárcere e mata deuses, munido apenas das armas que ele consegue sozinho e de sua própria força, inteligência e habilidade.
Isso é lindo, pois em todos os jogos hoje em dia, você é algum tipo de "Escolhido" e tem uma super-habilidade especial que mata todo mundo, e etc.. Lá, não, lá você é igualzinho aos hollowzinhos loucos que não usam nem uma espada inteira e andam com trapos, quase pelados, e ficam ou se debatendo ou tentando te matar. Tão odiosos e ao mesmo tempo tão dignos de pena. As armas que você consegue não lhe são dadas, o Dark Souls não te dá nada, você tem o mérito de ir buscar e ter o orgulho de usar.
E é interessante que esse jogo é absurdamente difícil, pois você não tem nada especial, você é só um nada que tomou uma atitude diferente, e venceu todas as dificuldades sem falhar (por isso que eu acho que quando você morre (porque o Undead Escolhido morre por incompetência do player, não dele mesmo) ou descansa na bonfire, todos os inimigos são restaurados pra dar a ideia de continuidade e de vitória sem interrupções). Você é o guerreiro perfeito, e ao mesmo tempo é um qualquer. Disso, dá pra tirar a mensagem que o guerreiro perfeito não nasce com título e poder, mas o adquire, e isso vem de sua força como homem, não de nenhum super-poder dado a ele de graça; sem falar que, no meio de toda aquela loucura, a sua maior força foi a sanidade.
É muito bom, nos dias de hoje, provar um jogo que não é "joga, fecha rápido e compra outro", mas um que realmente te dê a sensação de realização pessoal que os jogos antigos davam quando, após muitas tentativas, você vencia um nível difícil, e essa sensação não é mais proporcionada pelos jogos hoje em dia.
Por isso eu acho que jogar Dark Souls, hoje em dia, é uma experiência de vida, não só um jogo, pois ele exercita, mais que todos os outros jogos, sua perseverança e sua habilidade de não se deixar abater por mais que o jogo te ponha de quatro, te algeme, e te dê chicotadas na bunda enquanto diz "Você gosta, né, otário? Vai, tenta de novo! Eu te desafio a ser trouxa de tentar de novo!" e você se sente extremamente frustrado (talvez por isso que o Dark Souls não seja tão famoso quanto deveria. Porque ele assusta muito os players por causa da dificuldade e do tipo de coisa que você enfrenta logo no início. É absurdo). Até o momento em que você fica mais forte como player (e como pessoa, acho, pois precisa-se de muita perseverança, sangue e lágrimas) pra jogar Dark Souls e supera essa frustração. E ainda dá margem pra doidos terem pensamentos e reflexões profundas como as minhas por conta da ideologia sinistramente poética ou poeticamente sinistra (e profunda, principalmente) do jogo.
Dark Souls é o jogo do qual precisamos hoje em dia. Pra ver se tiramos a sociedade dessa insanidade de apenas buscar coisas pequenas e fáceis com a desculpa de "sou só um trabaiadô" e afundar cada vez mais na frustração de uma vida cuja ideia de vitória seja comprar um carro um pouco melhor a 6924241111 prestações e continuar se sentindo vazio porque, no fim, sabe que não fez nada de importante ou construtivo na vida, só trabalhar e comprar. Bela bosta de objetivo de vida.
Dark Souls é foda.
PREPARE TO DIE!
sábado, 14 de dezembro de 2013
Reclamar

"Sim, claro! Eu vou parar de reclamar da minha vida e dos meus problemas porque outras pessoas tem problemas mais sérios do que os meus, então isso tira todo o direito que eu tenho de expressar meu desagrado em relação a algum evento da minha vida. Faz sentido! Essa frase pseudo-inspiracional numa foto de um moleque careca mudou minha atitude em relação às coisas! Agora eu vou ser um sujeito totalmente feliz, 'zen' e paciente com tudo porque tem uma frase tosca de rede social que diz que minhas reclamações não tem fundamento porque tem pessoas com coisas mais importantes pra se preocupar do que eu! Aí as pessoas que tiverem mais preocupações do que eu vão ler essa frase genial e mudar totalmente sua atitude perante seus problemas também! Puxa vida! Não pensei que a solução para todos os problemas de todas as pessoas do mundo estivesse escondida em uma mensagem tão simples! Olha só! O fato de existirem outras pessoas no mundo que também tem problemas faz com que meu direito de reclamar e manifestar meus sentimentos perante os meus seja desprezível! Não fazia ideia de que minhas preocupações que são importantes pra mim deveriam se tornar insignificantes perto dos problemas dos outros! Incrível!"
Vá à merda.
(Não, não estou puto. Isso é só o que eu tenho vontade de dizer quando vejo gente compartilhando/dizendo bobagens assim... Mas ainda prefiro evitar encheção de saco...)
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Frase Da Semana:
"What does the fox says?
Ring-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
What the fox say?"
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
Gering-ding-ding-ding-dingeringeding!
What the fox say?"
by: Ylvis
O blog tá muito musical hoje...
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